O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) abriu o processo-crime n.º 103/11/O/GCCC/2025 para apurar alegadas irregularidades no concurso público promovido pelo Instituto de Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM, IP).
O concurso tinha como objetivo implementar e gerir uma plataforma digital destinada a modernizar as cadeias de valor do algodão, oleaginosas e culturas alimentares. Contudo, gerou polêmica ao declarar a empresa Future Technologies of Mozambique como vencedora, apesar de não possuir experiência relevante no setor, superando concorrentes com maior dimensão e histórico tecnológico consolidado.
A situação foi inicialmente levantada por organizações da sociedade civil, que questionaram a transparência do processo e apontaram possíveis favorecimentos. As denúncias também envolvem o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, cuja participação no caso será alvo de investigação.
Com a abertura do inquérito, o GCCC visa identificar responsabilidades criminais e apurar a existência de corrupção ou outras infrações na condução do concurso. A investigação faz parte de um esforço mais amplo para reforçar a integridade na gestão dos recursos públicos, especialmente no setor agrícola, considerado estratégico para a economia nacional.
Até o momento, não foram definidos prazos para a conclusão do processo nem anunciadas medidas contra os envolvidos. Fontes da “Carta” indicam, porém, que o caso será tratado com urgência, considerando não apenas as possíveis responsabilidades criminais, mas também a dimensão ética envolvendo o Ministro Roberto Mito Albino.
A ação do GCCC ocorre após pronunciamento do Presidente da República, no domingo passado, que, por meio do Gabinete de Comunicação Institucional, declarou estar averiguando irregularidades e deixou para o judiciário a tarefa de apurar condutas que possam exigir tratamento criminal.
O Chefe de Estado destacou o papel das organizações da sociedade civil, como o Centro de Integridade Pública (CIP) e o Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), que denunciaram o processo e levantaram indícios de conflitos de interesse. Na quinta-feira, o CIP apresentou novas evidências que sugerem um possível conluio entre o Ministro Roberto Mito Albino e a empresa vencedora, de propriedade de Paulo Auade Jr., suposto sócio do Ministro em uma empresa dormente, da qual o ministro teria se desvinculado. Ler mais…
