Um cenário de tensão marcou esta semana a Conservatória do Registo Civil da cidade de Nampula, quando dezenas de jovens invadiram o espaço reservado aos livros de registo de nascimento para confrontar um funcionário identificado apenas como senhor País.
A revolta surgiu após vários utentes denunciarem atrasos inexplicáveis na entrega de certidões narrativas, que, em alguns casos, chegavam a ultrapassar um mês de espera. Muitos afirmaram ter entregue várias cópias da cédula, que “misteriosamente desapareciam”, enquanto outros diziam ser constantemente despachados com a habitual frase: “volta amanhã”.
O ponto comum de todas as reclamações seria o facto de os recibos das certidões em atraso apresentarem a assinatura do referido funcionário.
Segundo testemunhas, uma responsável sénior da instituição confirmou publicamente que o senhor País não tinha qualquer autorização para recolher dinheiro para emissão de certidões. “Ele não é da área competente, os nossos funcionários usam uniforme”, afirmou.
A resposta dos utentes foi imediata: “Se não tinha competência, como é que trabalhava normalmente e dentro da instituição? Nós não o procuramos fora, nem através de corrupção, ele fazia como qualquer outro funcionário.”
O clima ficou ainda mais tenso quando alguns dos jovens, indignados, barraram o funcionário à porta, com empurrões e insultos, exigindo a devolução do dinheiro. Do lado de fora, ouviam-se gritos:
— “Senhor País, sai para falar aqui fora, nós queremos o nosso dinheiro!”
As autoridades ainda não se pronunciaram sobre o incidente, mas a revolta popular levantou sérias questões sobre a gestão e fiscalização dos serviços do Registo Civil em Nampula.
