Ministro da Defesa evita dar respostas diretas sobre alegado envolvimento de militares com terrorismo

Durante a sua participação no programa Hora do Governo, o ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, foi confrontado pelo jornalista Brito Simango com uma questão sensível que tem circulado nos meios políticos e sociais: existem ou não generais das Forças Armadas com ligações ao terrorismo em Cabo Delgado?

A resposta de Chume foi marcada pela cautela:

“Não vou fazer interpretações sem bases objetivas. Amanhã poderiam até dizer que eu também estou envolvido. Não quero entrar em debates que pertencem mais aos analistas.”

O jornalista insistiu, levantando a questão do uso de uniformes militares novos por parte de grupos terroristas. O ministro admitiu que tais fardas podem ser produzidas tanto em Moçambique quanto no exterior, ressaltando que basta ter acesso ao tecido para reproduzi-las.

Quanto à possibilidade de infiltrações nas forças de defesa, Chume reconheceu que há risco de indivíduos atuarem em ambos os lados, mas garantiu que, quando identificados, são encaminhados à justiça. Porém, ao ser questionado sobre números de detidos, incluindo militares, preferiu não apresentar dados:

“Não tenho números.”

A pressão aumentou quando Simango perguntou quantos generais existem no país e se algum já foi investigado. O governante não respondeu de forma direta, limitando-se a dizer que “em Moçambique os generais são poucos” e que, caso seja apontado um nome, o mesmo será alvo de apurações.

A entrevista expôs a dificuldade do executivo em oferecer informações concretas sobre suspeitas graves, deixando no ar dúvidas sobre transparência, responsabilização institucional e eficácia no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

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