RIO DE JANEIRO – Em uma iniciativa que desafia os pilares do conservadorismo religioso, a pastora Simone Poncio, da Igreja Pentecostal Anabatista da Barra, protagonizou um ensaio fotográfico que gerou ondas de choque nas redes sociais. A líder religiosa apareceu seminua em fotos artísticas para celebrar o primeiro casamento homoafetivo realizado em sua congregação.
A Justificação Teológica
Diferente do que se poderia esperar de uma reação tradicional, Simone utilizou passagens bíblicas para fundamentar a sua participação no ensaio. Ao publicar as imagens em que aparece despida entre os noivos Geraldo e Hugo, a pastora citou o evangelho de Lucas (10:25-37), enfatizando o mandamento de amar o próximo como a si mesmo.
Para a pastora, a nudez não teve conotação sexual, mas sim simbólica. Ela defendeu que a estética das fotos representava o ato de estar “despida de preconceitos” e tabus, argumentando que nenhuma regra denominacional deveria ser superior ao amor cristão.
Impacto e Contradições
A repercussão foi imediata, dividindo a internet em dois polos distintos:
- O Apoio dos Filhos: Saulo Poncio e Sarah Poncio, figuras conhecidas do público jovem, saíram em defesa da mãe. Saulo declarou sentir orgulho da postura da matriarca, enquanto Sarah celebrou o “coração despido de preconceito”.
- A Reação dos Fiéis: No campo oposto, internautas e membros de vertentes mais tradicionais criticaram duramente o ensaio. Muitos argumentaram que a interpretação bíblica foi distorcida e questionaram se a exposição física era o caminho adequado para pregar a inclusão.
O “Evangelho do Amor” em Debate
O caso reacendeu o debate sobre os limites da liberdade artística dentro da liderança religiosa. Segundo Geraldo Segreto, um dos noivos, a intenção de Simone foi mostrar que o evangelho deve ser humano e acolhedor, desprendendo-se de “roupas” (metáforas para julgamentos) que impedem o acolhimento de minorias nas igrejas.
