Caso Leonor Célia Inguane: Adriano Nuvunga Questiona o Silêncio das Autoridades Sobre Assassinato de Comandante

MAPUTO – O diretor do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, lançou duras críticas à falta de esclarecimentos em torno do assassinato de Leonor Célia Inguane, uma das poucas mulheres a ocupar o cargo de comandante distrital na Polícia da República de Moçambique (PRM). Em declarações recentes, o ativista questionou o “silêncio ensurdecedor” das instituições do Estado e a falta de resultados na investigação de um crime ocorrido em circunstâncias alarmantes.

Execução em Serviço

​De acordo com Nuvunga, o caso de Leonor Inguane reveste-se de particular gravidade pelo contexto em que ocorreu. A comandante foi “crivada de balas” enquanto estava fardada, conduzindo uma viatura oficial da PRM e à saída do seu turno de trabalho.

​”Uma mãe, uma das poucas mulheres corajosas que assumiu a responsabilidade… O Ministro do Interior, o Comandante-Geral da Polícia e toda a hierarquia que todos os dias andam aqui [com sirenes] a mandar afastar pessoas, não conseguem esclarecer quem matou Célia Inguane”, afirmou o diretor do CDD.

Inércia Governamental e “Conveniência”

​Adriano Nuvunga direcionou as suas críticas diretamente ao topo da hierarquia estatal, incluindo o Presidente da República. Para o diretor do CDD, a manutenção do silêncio sobre o caso sugere uma proteção deliberada de interesses desconhecidos.

​”Este silêncio protege a quem?”, questionou. “Não podemos continuar, como sociedade. Vivemos encorajando mulheres para se emanciparem, para assumirem posições; elas assumem isso, são crivadas de balas em serviço e o Estado fica conveniente.”

​O ativista sublinhou ainda a contradição entre a proximidade política dos governantes e a ausência de cobrança por resultados: “O Presidente da República senta com este Ministro todas as terças-feiras no Conselho de Ministros, não lhe pergunta? Não há nada? Que conveniências são essas?”.

Impacto na Luta pela Igualdade de Género

Para o CDD, a impunidade neste caso envia uma mensagem negativa às mulheres moçambicanas que aspiram a cargos de liderança no setor da segurança e ordem pública. A organização exige que as autoridades competentes apresentem progressos concretos na identificação e responsabilização dos autores materiais e morais do crime, sob pena de se consolidar a imagem de um Estado incapaz de proteger os seus próprios quadros. (Times de Todos)

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