JOHANNESBURGO – Os campos de gás de Pande e Temane, em Moçambique, estão prestes a entrar em declínio, criando o chamado “gas cliff”, previsto para 2028.
No entanto, a Sasol afirma ter uma estratégia para adiar esse impacto até 2030. O CEO Simon Baloyi revelou que a solução passa pelo Gás Natural Liquefeito (GNL), em colaboração com a Eskom e sob orientação do Ministério da Eletricidade.
“Esperamos ter GNL disponível até 2030”, afirmou Baloyi. Caso contrário, a empresa planeia prolongar a produção de metano a partir de Secunda, essencial para a segurança energética da África do Sul. A planta de Secunda permite transformar carvão em gasolina e diesel, além de produzir químicos como amônia, utilizada em fertilizantes, explosivos para mineração e combustível para aviação.
Este desenvolvimento traz algum alívio, num momento em que a África do Sul demonstrava preocupação com possíveis escassez de combustíveis, agravada pelo conflito no Médio Oriente. O Diretor-Geral do Departamento de Recursos Minerais e Petrolíferos, Jacob Mbele, explicou que as empresas sul-africanas adquirem produtos de diversas partes do mundo em intervalos distintos, garantindo a estabilidade do abastecimento de petróleo no país.
Secunda, portanto, representa uma rota estratégica para a produção alternativa de combustíveis. “A Sasol está empenhada em evitar o gas cliff”, reforçou Baloyi, acrescentando que aguardam a aprovação da regulação de preços pelo Regulador Nacional de Energia da África do Sul (NERSA).
Mais de 700 mil pessoas dependem direta ou indiretamente do setor de gás, tornando urgente a busca por soluções, segundo Baloyi.
Em Moçambique, a região norte possui reservas de até 100 mil Triliões de Pés Cúbicos (TCF) de gás. Contudo, devido à distância, a Sasol não planeia construir um gasoduto de mais de 2.000 km. Empresas como Total e Exxon trabalham atualmente na monetização dessas reservas.
“O gás ainda chegará sob a forma de GNL”, disse Baloyi, destacando que é mais viável colaborar com as empresas já presentes na região. “Vamos trabalhar com quem trouxer o gás mais barato”, acrescentou.
Apesar da escassez de gás em Matola, cidades como Inhassoro e Richards Bay serão pontos-chave para o transporte do GNL até a África do Sul. “Não prevemos nenhuma falta de gás até 2030”, assegurou Baloyi.
A estratégia da Sasol está centrada em projetos de “gás para energia”, considerados fundamentais para o ancoramento do GNL no país. O Ministério da Eletricidade, através do IPP, lançou uma Solicitação de Propostas (RFP) para a construção de um ponto de entrada de gás, garantindo o fornecimento de GNL e a manutenção de empregos.
Fonte: ENCA
