O Governo assegurou, esta terça-feira (31), que o país dispõe de reservas suficientes de combustíveis líquidos para responder à procura durante os próximos 30 dias, mantendo os preços inalterados até ao mês de Maio. As autoridades consideram ainda que os recentes episódios de agitação no mercado foram desnecessários.
De acordo com o Secretário do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, existem quantidades adequadas de combustível para garantir o abastecimento, estando igualmente previstas novas chegadas entre os dias 14 e 16 de Abril, o que deverá reforçar ainda mais a capacidade do mercado.
O governante explicou que foram tomadas medidas para libertar cerca de 85 mil toneladas métricas de combustíveis que se encontravam retidas em terminais oceânicos até ao início de Março, devido à necessidade de garantias bancárias. Segundo Tivane, foi possível reduzir o valor dessas garantias de 72 milhões para 12 milhões de dólares, permitindo a transferência dos produtos para os reservatórios.
Entre os dias 26 e 30 de Março, o país voltou a receber novos carregamentos, o que, segundo o responsável, demonstra que a alegada escassez verificada recentemente não tinha fundamento real.
Apesar da estabilidade actual, o Governo admite que poderá haver aumento de preços após Abril, tendo em conta os valores praticados no mercado internacional. Tivane indicou que qualquer ajuste dependerá da evolução económica e financeira, garantindo, contudo, que serão tomadas medidas para proteger as camadas mais vulneráveis.
Como forma de reduzir o impacto de uma eventual subida, o Executivo está a considerar a utilização do Fundo de Estabilização, que dispõe actualmente de cerca de 390 milhões de meticais, equivalentes a seis milhões de dólares.
Entretanto, dados da Trading Economics indicam que o preço do petróleo bruto recuou para cerca de 100 dólares por barril, depois de ter atingido 107 dólares nas primeiras horas do dia. A descida ocorre num contexto de redução das tensões após sinais de possível desescalada do conflito envolvendo o Irão e declarações mais moderadas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A possível retoma do fluxo de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, também contribui para aliviar a pressão sobre os preços internacionais.
Fonte: A Carta de Moçambique
