Guerra no Médio Oriente ameaça bolso dos moçambicanos, alerta Oxford Economics

A consultora britânica Oxford Economics reviu em alta a previsão de inflação para Moçambique, estimando agora que os preços possam subir cerca de 7,7% este ano, impulsionados pelos efeitos do conflito no Médio Oriente.

Segundo os analistas, a decisão do Banco de Moçambique de manter as taxas de juro inalteradas em meados de março foi prudente, refletindo preocupações com a estabilidade dos preços após os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel no final de fevereiro. Entre os fatores apontados estão o aumento do preço do petróleo e os impactos globais decorrentes do encerramento do Estreito de Ormuz, que afetam o comércio internacional.

Especialistas do departamento africano da consultora preveem ainda uma “forte depreciação” do metical até ao final de junho, no âmbito do acordo previsto com o Fundo Monetário Internacional. De acordo com a análise, essa desvalorização deverá pressionar os preços internos por via do efeito cambial, contribuindo para elevar a inflação para os 7,7% em 2026.

A estimativa anterior da Oxford Economics apontava para uma inflação de 4,8% este ano, já acima da média de 4,4% registada no ano passado.

Além da revisão da inflação, a consultora prevê que o banco central aumente a taxa de juro de referência para 10,4% até ao final do ano, como forma de conter a volatilidade dos preços.

Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que a inflação acumulada em 2024 foi de 4,15%, abaixo dos 5,3% registados em 2023 e distante do pico de quase 13% alcançado em julho de 2022.
O Governo moçambicano previa uma inflação em torno de 7% tanto para 2025 como para 2026.

Em março, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária em 9,25%, após 12 reduções consecutivas desde janeiro de 2024, citando uma “deterioração significativa” dos riscos. Na mesma ocasião, a instituição também reviu em alta as projeções de inflação.

O governador do banco central, Rogério Zandamela, explicou que a decisão foi motivada pelo agravamento de riscos e incertezas, especialmente ligados ao conflito no Médio Oriente, com impacto nas cadeias logísticas, no fornecimento e nos preços de energia e alimentos, fatores que contribuíram para a revisão em alta das perspetivas inflacionárias.

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