Ruanda voltou a surpreender o mundo da aviação e da inovação tecnológica ao realizar, durante o Aviation Africa 2025 Summit, o primeiro voo público de um táxi-drone autônomo e elétrico em território africano. O feito marca um passo decisivo para o continente no campo da mobilidade aérea avançada e consolida o país como referência global no uso de novas tecnologias de transporte.
O voo de demonstração foi realizado com o modelo EHang EH216-S, um eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical) de origem chinesa, capaz de transportar até dois passageiros sem necessidade de piloto a bordo. Equipado com múltiplos motores elétricos, o táxi-drone possui autonomia para voar cerca de 25 minutos, cobrindo até 30 quilômetros a uma velocidade aproximada de 130 km/h, operando em altitudes médias de 100 a 120 metros. Além do transporte de passageiros, o aparelho pode carregar até 620 quilos de carga.
A apresentação aconteceu no Centro de Convenções de Kigali, diante de mais de 1.700 participantes, incluindo líderes africanos, autoridades da aviação civil, engenheiros, jornalistas e investidores. Entre os presentes estavam o presidente ruandês Paul Kagame, o ministro da Infraestrutura Jimmy Gasore, o diretor-geral da Autoridade de Aviação Civil de Ruanda (RCAA), Silas Udahemuka, e o embaixador da China em Ruanda, Wenqi Gao, além de executivos da China Road and Bridge Corporation (CRBC) e engenheiros da fabricante EHang.
O voo foi descrito como “impressionante” por Kagame, que destacou o potencial da tecnologia para “impulsionar o desenvolvimento do transporte de baixa altitude na África”. Já o ministro Gasore enfatizou que a iniciativa abre caminho para um ambiente regulatório moderno e seguro, capaz de integrar soluções de mobilidade aérea urbana no cotidiano do país. O embaixador chinês ressaltou que o projeto simboliza o fortalecimento da cooperação tecnológica sino-africana.
O evento também representa a evolução de um percurso iniciado em 2016, quando Ruanda se tornou o primeiro país do mundo a usar drones em escala nacional para entregas médicas, em parceria com a empresa norte-americana Zipline. Atualmente, o sistema de drones de saúde realiza centenas de voos diários transportando sangue e medicamentos a hospitais em áreas remotas. Agora, com a introdução do táxi-drone, o país dá um salto do transporte automatizado de suprimentos para a mobilidade de passageiros, reforçando seu papel como laboratório vivo de inovação no setor aéreo.
Segundo especialistas presentes, a adoção dos táxi-drones poderá trazer benefícios diretos ao turismo, ao transporte urbano e à logística, ao mesmo tempo em que estimula investimentos em infraestrutura como vertiportos, corredores aéreos e sistemas regulatórios específicos para aeronaves autônomas. A longo prazo, Ruanda projeta tornar-se um polo africano da chamada “economia de baixa altitude”, baseada em soluções elétricas, rápidas e sustentáveis para mobilidade aérea.
O voo histórico do EH216-S em Kigali não apenas posiciona Ruanda na vanguarda da inovação tecnológica, como também sinaliza um futuro em que o transporte aéreo autônomo poderá integrar-se ao dia a dia de milhões de africanos.
