INAM prevê chuvas intensas e ventos fortes para Maputo, Gaza e Inhambane, enquanto a vulnerabilidade da Zambézia volta a preocupar autoridades e populações.
MAPUTO — O verão moçambicano volta a mostrar a sua face mais rigorosa. Este domingo, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) elevou o nível de preocupação ao emitir um alerta vermelho para a região Sul do país. Contudo, o receio não se limita ao Sul: no Centro, a província da Zambézia vive um clima de apreensão, com comunidades em alerta máximo devido ao histórico de cheias cíclicas que assolam a região.
O Impacto no Sul: Cidades em Risco
De acordo com o boletim meteorológico n.º 014/INAM-SCPM/2026, o sistema de baixa pressão que atravessa o país deverá despejar entre 50 a 100 milímetros de precipitação num intervalo de apenas 24 horas. O aviso é válido até ao final desta segunda-feira e abrange as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.
Cidades estratégicas como Xai-Xai, Matola e a capital, Maputo, enfrentam o risco iminente de inundações urbanas. O sistema de drenagem, frequentemente deficitário, será colocado à prova por chuvas acompanhadas de trovoadas severas e rajadas de vento que podem causar danos materiais e cortes de energia.
A Tensão no Centro: O Fantasma da Zambézia
Embora o foco imediato do alerta vermelho seja o Sul, o sistema meteorológico projeta “chuvas moderadas a localmente fortes” para o Centro e Norte. Na Zambézia, a vigilância é redobrada nos distritos costeiros e bacias hidrográficas. A memória de ciclones recentes ainda é uma ferida aberta na região, onde a destruição de culturas de subsistência e o isolamento de aldeias rurais são ameaças constantes sempre que o céu escurece.
Prevenção vs. Planeamento
O INAM reiterou a necessidade de medidas de precaução, recomendando que a população evite zonas de risco. Entretanto, a crítica recorrente recai sobre a falta de um plano de contingência logístico que vá além do aviso meteorológico. Para muitas famílias moçambicanas, o aviso de chuva é o anúncio da perda de bens acumulados durante todo o ano.
O país aguarda agora a atualização dos dados prevista para a manhã de terça-feira. Entre o Rovuma e o Maputo, o sentimento é de impotência diante de uma natureza que, embora essencial para o campo, castiga as infraestruturas que ainda não alcançaram a resiliência necessária.
