O ativista social e defensor dos direitos humanos Joaquim Pachoneia, amplamente conhecido como Jota Pachoneia, denunciou publicamente nesta quarta-feira ter sido alvo de uma tentativa de assassinato por parte de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), na província de Nampula.
Disparos e Perseguição em “Cenário de Filme”
Através das redes sociais, Pachoneia relatou ter sobrevivido a uma emboscada enquanto se dirigia à localidade de Anchilo. Segundo o ativista, agentes da corporação dispararam repetidamente contra a sua viatura. Apesar de o veículo ter sido atingido e sofrido danos materiais consideráveis, Pachoneia conseguiu escapar sem ferimentos.
O relato é corroborado por Gamito dos Santos, diretor da organização da sociedade civil Koxukhuro. Segundo Santos, a perseguição teve início na Avenida Eduardo Mondlane, na capital provincial, estendendo-se em direção a Anchilo. Os agentes da PRM teriam utilizado uma viatura e duas motorizadas para cercar o ativista, numa operação que Santos descreveu como assemelhando-se a um “filme de ação”.
Mandado de Captura e Acusações de Retaliação
Jota Pachoneia confirmou ter conhecimento de que existe um mandado de captura contra si emitido pelo tribunal. No entanto, o defensor dos direitos humanos contesta veementemente o uso da força letal para efetuar a sua detenção, alegando que os agentes optaram pela violência em vez dos procedimentos legais normais.
Para o ativista, a perseguição policial não é um ato isolado de justiça, mas sim uma retaliação. Pachoneia acredita que está a ser visado por ter denunciado publicamente supostos esquemas de corrupção envolvendo magistrados judiciais.
Resistência e Paradeiro Incerto
Apesar da pressão policial, o ativista informou que se encontra escondido em local não revelado por questões de segurança. Pachoneia garantiu que não pretende apresentar-se voluntariamente às autoridades enquanto não houver garantias de que será notificado para prestar declarações de forma transparente, recusando-se a entregar-se apenas para ser encarcerado sem o devido processo.
Gamito dos Santos reforçou a estranheza quanto ao método utilizado pela PRM, questionando a necessidade de tamanha brutalidade contra um cidadão que, além de estar indefeso, é uma figura pública facilmente localizável pelas vias administrativas padrão.
Fonte: Carta de Moçambique
