Quelimane, 25 de Julho de 2025 – O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou a sua intenção de transferir a sede da Assembleia da República de Maputo para a cidade de Mocuba, localizada na província da Zambézia, no centro do país.
Durante um comício realizado esta quinta-feira em Quelimane, capital provincial da Zambézia, Chapo destacou que a escolha de Mocuba se deve tanto à sua posição geográfica estratégica quanto ao seu simbolismo nacional. Segundo o chefe de Estado, Mocuba representa um ponto de encontro entre as três regiões do país — norte, centro e sul —, e por isso seria um local ideal para sediar as grandes decisões políticas de Moçambique.
Até a eleição de Chapo em 2024, o projeto que estava em discussão previa a construção da nova sede parlamentar em Katembe, na zona sul da Baía de Maputo. A proposta do atual Presidente abandona completamente essa ideia e introduz um novo plano: a criação de uma “cidadela parlamentar moderna e inclusiva” em Mocuba.
De acordo com Chapo, o novo complexo legislativo incluirá, além da sede da Assembleia, centros de investigação legislativa, alojamentos para deputados e funcionários, áreas de interação com a sociedade civil, e plataformas digitais voltadas à promoção da democracia participativa. Ele assegurou que a implementação será feita por etapas, com recurso a parcerias público-privadas.
O projeto também prevê a criação de um Instituto Nacional de Estudos Parlamentares, com o objetivo de aproximar o parlamento da população e tornar o processo legislativo mais acessível.
Apesar da ambição, a proposta enfrenta resistência. O atual edifício do parlamento, em Maputo, é considerado funcional e tem servido como sede legislativa há mais de três décadas, apesar de originalmente ter sido construído como um cinema. Além disso, Mocuba não dispõe de um aeroporto, o que obrigaria os parlamentares a voar até Quelimane e seguir por terra.
Chapo foi além, defendendo a ideia de “capitais temáticas” em diferentes regiões do país. Para ele, a descentralização em Moçambique precisa evoluir de uma simples redistribuição administrativa para uma abordagem que leve em conta aspectos geoestratégicos e funcionais. “Precisamos combater o centralismo excessivo e criar um país mais coeso e equilibrado”, declarou.
Cada capital temática, segundo Chapo, terá um foco específico, com investimentos prioritários, centros de excelência, instituições de ensino superior especializadas e agendas próprias de cooperação internacional.
“O nosso país é vasto e diversificado”, afirmou o Presidente. “Devemos transformar essa diversidade em uma vantagem estratégica. Ao dar a cada província um papel único, estamos a construir um Moçambique mais justo, mais eficiente e mais unido.”
