Irão nega negociações com Trump: “Não chames acordo à tua derrota”

Teerão, 25 de março de 2026 – O Irão respondeu hoje às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou estar em negociações com Teerão. O Exército iraniano rejeitou a afirmação, afirmando: “Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas chegou ao fim”.

Num comunicado divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, o coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, descreveu como falsas as declarações da Casa Branca sobre possíveis negociações.

“Hoje existem duas frentes: a verdade e a mentira. E nenhum amante da verdade se deixa seduzir pelas tuas ondas mediáticas”, declarou o porta-voz. Ele questionou ainda se os conflitos internos nos Estados Unidos teriam levado Trump a “negociar consigo mesmo”.

O Exército iraniano advertiu que os preços do petróleo não voltarão aos níveis anteriores até que suas forças garantam a estabilidade regional. “Nem os vossos investimentos na região se concretizarão, nem verão os preços da energia e do petróleo de antes, até compreenderem que a estabilidade é assegurada pela mão poderosa das nossas forças armadas”, acrescentou o comunicado.

Trump, por sua vez, afirmou na terça-feira acreditar que Washington e Teerão “chegarão a um acordo” e que alguns representantes iranianos concordaram em nunca obter a arma nuclear, oferecendo ainda um “grande presente” relacionado ao estreito de Ormuz, rota estratégica do petróleo controlada pelo Irão.

No entanto, Teerão reconheceu apenas contatos indiretos e negou qualquer negociação formal. Zolfaghari reforçou: “Até que a nossa vontade seja cumprida, nada voltará a ser como antes. Ninguém como nós chegará a acordo com alguém como vocês”.

O The New York Times noticiou que a Casa Branca teria apresentado, por intermediários do Paquistão, um plano de cessar-fogo com 15 pontos, enquanto o Pentágono mobiliza duas unidades navais e cerca de 5.000 fuzileiros navais para aumentar a presença militar dos EUA na região.

Autoridades israelitas, que defendem Trump na continuação da guerra contra o Irão, teriam ficado surpresas com o plano de cessar-fogo. Paralelamente, ataques aéreos atingiram território iraniano, enquanto mísseis e drones iranianos bombardearam alvos em Israel e outras regiões.

O bloqueio de Teerão ao estreito de Ormuz já afetou o transporte marítimo, elevou os preços do combustível e pressiona a economia mundial. Zolfaghari concluiu: “O poder estratégico de que costumavam falar transformou-se num fracasso estratégico. Não disfarcem a vossa derrota como um acordo. A vossa era de promessas vazias chegou ao fim”.

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