Cabo Delgado: Militares Detêm 23 Jovens Sem Credenciais de Viagem em Ancuabe.

No final do mês de Abril de 2026, um grupo composto por 23 jovens passou por momentos de tensão ao ser detido por uma semana no quartel de Macarara, situado na localidade de Nacololo, distrito de Ancuabe, na província de Cabo Delgado. O grupo deslocava-se de motorizada com destino a um piquenique no distrito de Chiúre.

As Circunstâncias da Intercepção

​A detenção ocorreu na área de Megaruma e foi levada a cabo por elementos das forças militares. A atitude do grupo levantou fortes suspeitas às autoridades, não só pelo contexto de insegurança que se vive em Cabo Delgado, mas também pela forma como viajavam: seguiam sem camisolas no corpo, utilizando-as enroladas na cabeça, e não possuíam qualquer documento ou credencial de circulação.

​Fontes militares destacaram que a ausência desta documentação foi a principal causa da intervenção, classificando a atitude como um desafio às estruturas de segurança locais. As mesmas fontes recordaram que, numa viagem anterior, o grupo fez-se acompanhar das devidas credenciais e não sofreu qualquer impedimento.

​A falha na documentação nesta segunda viagem, segundo relataram os próprios jovens, deveu-se ao facto de a pessoa encarregue de emitir as credenciais lhes ter pedido para aguardar até a um determinado dia ou hora, indicação que não terá sido cumprida.

A Versão dos Detidos e os Castigos no Quartel

​Para os jovens, no entanto, não havia qualquer justificação para a detenção. Grelha e Machado, dois dos membros do grupo, relataram que o comportamento que apresentavam não tinha nada de anómalo e que os seus contactos na vila de Chiúre já tinham conhecimento desta segunda viagem de lazer.

​Grelha confessou a surpresa geral do grupo no momento da detenção. Segundo o seu relato, durante a semana em que estiveram retidos no quartel (sendo libertados apenas no início de Maio de 2026), foram sujeitos a punições físicas severas e desproporcionais, como a obrigação de empurrar um automóvel que se encontrava avariado há anos. Apesar de não terem sofrido privação de alimentos, as alegadas agressões fizeram com que muitos regressassem doentes.

​O impacto físico destas punições foi corroborado por Machado, que revelou que um dos jovens ficou incapacitado de conduzir a sua motorizada após ser libertado, devido aos supostos actos de tortura. A situação exigiu que um próprio militar tivesse de o transportar de mota até à cidade de Pemba e, de seguida, até à sua casa.

Créditos da Notícia Original:

  • Fonte: mozanorte – News of Northern of Mozambique
  • Autor: Abel Buruhane
  • Data de Publicação: 25 de Maio de 2026

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