Nesta segunda-feira, um conjunto de militantes e simpatizantes da Renamo deu entrada de uma queixa formal na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a cúpula do seu próprio partido. A direcção, liderada por Ossufo Momade, é alvo de graves acusações que incluem a ausência de prestação de contas aos órgãos internos e a total falta de transparência na administração dos fundos da organização.
Financiamento Partidário Desconhecido
O documento submetido às autoridades judiciais sustenta que a gestão do dinheiro do partido tem sido feita de forma completamente obscura. Em representação do grupo, o membro da Renamo Edgar Silva explicou que a ida ao tribunal serviu para entregar um conjunto de assinaturas que corporizam o descontentamento face ao fraco desempenho da liderança, visando especificamente a figura do presidente Ossufo Momade.
De acordo com o denunciante, os membros desconhecem o paradeiro de várias fontes de rendimento do partido. Edgar Silva destacou que os fundos provenientes do Estado, o dinheiro das quotas pagas pelos membros e até as doações enviadas por entidades externas desaparecem sem que se saiba o seu destino ou sem que as contas sejam apresentadas.
Paralisia Partidária e Milhões Desaparecidos
Os queixosos traçam um cenário de inoperância total dentro da Renamo, afirmando que o partido se encontra sem recursos financeiros sequer para promover encontros. Como exemplo, apontam o facto de duas reuniões extraordinárias terem ficado por realizar.
Perante esta situação, os militantes exigem um relatório financeiro referente aos últimos 24 meses. A grande preocupação centra-se no desaparecimento de aproximadamente 42 milhões destinados a suportar a campanha eleitoral. Edgar Silva ilustrou a precariedade da situação revelando que, devido à falta de meios circulantes, toda a logística da campanha acabou por ser suportada por apenas três viaturas.
Possíveis Consequências Legais
Na denúncia formalizada, os subscritores argumentam que a contínua ocultação das contas e a fuga à transparência podem representar uma grave violação dos pilares da legalidade financeira e da boa governação. Os requerentes advertem que este comportamento da direcção poderá culminar em severas responsabilizações de âmbito criminal, civil ou disciplinar.
Fonte: O País (26/05/2026)
