“Assassinato Político”: Oposição não acredita na PGR e exige provas reais no caso Elvino Dias.

Mesmo após o anúncio recente do Ministério Público sobre a detenção de dois suspeitos e a abertura de diversas frentes de investigação, a oposição parlamentar em Moçambique mantém-se firme na convicção de que o assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe foi um ato com motivações puramente políticas.

PODEMOS Acusa PGR de “Cobertura”

O partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS) reagiu com cepticismo às informações avançadas pelas autoridades judiciais. A formação política acusou o Ministério Público de estar a dar “cobertura” ao que classificam como um “assassinato político”, defendendo que o restabelecimento da confiança na Justiça só será possível com um esclarecimento total e transparente dos factos.

​Ivandro Massingue, porta-voz da bancada parlamentar do PODEMOS — que é atualmente a maior força da oposição —, criticou severamente a atuação policial no momento do crime. Em declarações à Lusa, Massingue considerou “muito estranho” o comportamento das autoridades no local da emboscada.

​”Tivemos a própria polícia a fazer de tudo para esconder as provas, para inviabilizar que cidadãos que estavam ao redor fizessem recolha de provas que posteriormente seriam usadas para ajudar a polícia a identificar os supostos criminosos”, afirmou o porta-voz.

MDM Exige Provas Concretas

Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) reconheceu que a existência de detidos é um elemento novo no processo, mas alertou que isso não é suficiente para encerrar a polémica. O partido exige que sejam apresentadas provas irrefutáveis da culpa dos suspeitos para dissipar as dúvidas que ainda pairam sobre o crime.

​Judite Macuácua, porta-voz da bancada do MDM, apelou à celeridade e clareza nos resultados:

​”Que não deixe suspeitas. Diga ao povo moçambicano, que haja esclarecimento de uma vez por todas deste crime; se há investigações, então que investiguem e depois tragam os resultados.”

O Contexto do Crime

Elvino Dias, recordado como o “advogado do povo” pelo seu trabalho em prol das causas sociais e dos desfavorecidos, foi morto numa emboscada no dia 19 de outubro de 2024. No mesmo ataque, perdeu a vida Paulo Guambe, que era mandatário do PODEMOS, partido que serviu de base à candidatura presidencial de Venâncio Mondlane. O crime ocorreu num período de alta tensão, poucos dias após as eleições gerais, e tem sido desde então o epicentro de um intenso debate sobre a segurança de figuras ligadas à oposição no país.

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