Maputo, 24 de abril de 2026 — O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo deu início, esta sexta-feira, ao julgamento do processo-crime por calúnia e difamação que opõe duas figuras de destaque na esfera pública moçambicana: Albino Forquilha, presidente do partido PODEMOS, e Adriano Nuvunga, ativista e diretor do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD).
A Origem do Litígio
O processo remonta a declarações polémicas feitas por Nuvunga em 2025. Na altura, o ativista acusou publicamente o líder do PODEMOS de ter submetido a “verdade eleitoral” a interesses financeiros, alegando o recebimento de cerca de 219 milhões de meticais para o efeito. Sentindo-se lesado na sua honra, Forquilha avançou com uma queixa-crime para repor o seu bom nome.
A Defesa de Nuvunga: “Um Paradoxo Democrático”
À saída da primeira sessão, Adriano Nuvunga manteve um tom firme e desafiante. O diretor do CDD argumentou que a sua conduta se pautou pelo cumprimento do seu papel social, limitando-se a encaminhar denúncias recebidas às instâncias competentes.
Para Nuvunga, sentar-se no banco dos réus por lutar pela transparência é um contrassenso:
“Este é um julgamento de interesse público (…). A justiça eleitoral é um direito humano que impacta a qualidade de vida dos cidadãos”, afirmou.
O ativista sublinhou ainda que se sente “surpreendido” por ser levado à barra do tribunal enquanto denunciante, considerando a sua presença ali uma tentativa de julgar a sua militância social em prol do povo.
A Posição de Forquilha: Em Busca do “Bom Nome”
Do lado oposto, Albino Forquilha rejeita categoricamente as acusações, classificando-as como ataques gratuitos e sem qualquer suporte factual, desenhados exclusivamente para manchar a sua reputação política e pessoal.
O presidente do PODEMOS vê neste julgamento a via necessária para o esclarecimento definitivo:
“Sempre fui inocente e quero que o tribunal reponha o meu bom nome”, defendeu Forquilha, enfatizando que as alegações de Nuvunga são infundadas.
Próximos Passos e Produção de Prova
Embora a sessão de hoje tenha sido produtiva no que toca à apresentação de argumentos, o processo ainda não está encerrado. Albino Forquilha confirmou que a fase de produção de prova continua e revelou a data do próximo embate:
“O julgamento iniciou hoje (…), mas a prova foi feita. Voltaremos no dia 4 de maio. Penso que será o fim do julgamento”, vaticinou o político.
O caso, que simboliza a tensão crescente entre as novas forças políticas e os órgãos de fiscalização da sociedade civil, aguarda agora a audição de novas evidências antes da leitura da sentença final, agendada para o início do próximo mês.
Fonte: Evidências
